31.1.09

FeS2

Meu tio Olavo é geólogo. E eu me lembro bem que, quando descobri ainda criança que palavrão era esse, pedi a ele uma pepita de ouro. Na época, Olavinho trabalhava em Carajás, ou alguma outra mina famosa dessas, e, na minha lógica infantil, ouro era a coisa mais fácil de se encontrar. E não é que, um belo dia, a tal pepita apareceu? Era uma pedra escura com pequenas manchas metálicas douradas e reluzentes. Eu era o menino mais feliz, e mais rico, do mundo naquele momento. Cansei de fazer planos mirabolantes nos quais a venda daquele pequeno tesouro, guardado em um pedaço de veludo preto, era o principal financiador. Até que um dia uma visita à um Instituto de Geologia acabou com todos esses planos. Pirita era o nome da minha maior tristeza naqueles dias. Um mineral que, por causa da sua cor e brilho, também é conhecida como... "ouro de tolo". Apesar da história estar bem gravada na minha memória, ainda encontro algumas pepitas por aí, começo a maquinar planos, até que elas acabam se revelando pedaços de minério sem valor. Quem não passa por isso? Mas, ainda assim, se me dão alguma coisa bonita e brilhante, eu sempre guardo com cuidado. Uma hora não vai ser outra pirita do tio Olavinho.

2 comentários:

Daniella disse...

tá mesmo na hora de tu vir passar uns dias na terra onde os homens chamam as mulheres de "mina".

Reca disse...

Não sei se o fato de eu não beber, normalmente, e eu ter bebido meu whiskizito essa noite me deixou assim... mas achei triste essa história! I feel like you do!
Mas no fundo eu prefiro acreditar que cada pirita que me apareceu foi tão importante quanto o "ouro" foi pra você quando criança, aprendi com todas as minhas piritas e sinto que por causa delas estou cada vez mais polida para ser um diamante mais reluzente pro meu ouro! Haha, ficou brega mas é isso, a vida é a arte dos erros e dos acertos, certo? Pois é, acho que no fundo até o erro acaba sendo um acerto no seu devido tempo.
Deus te abençoe.
Beijo