6.11.06

FIC com LLL

Como acontece todos os anos - mentira, só fiz uma vez - você vai encontrar aqui pequenas resenhas descompromissadas sobre os filmes que assistirei no Festival Internacional de Cinema de Brasília. E pra auxiliar ainda mais os 4 leitores dessa birosca, criei um sistema de avaliação: a Escala Irã. Agora você vai poder entrar na sala de cinema já sabendo o nível de iranianização da película em cartaz. Assim, 0 é o filme nada iraniano e 5 é o filme que provavelmente tem uma macieira (ou cerejeira, ou amexeira, ou mangueira - Tem mangueira no Irã?), um menino descalço correndo sem rumo e vai terminar sem explicar porra nenhuma do que aconteceu nas últimas 2 horas e 40 de filme. Depois não diz que eu não avisei...


"Carteirinha, por favor."

37 utilidades para uma ovelha morta (Ben Hopkins/Reino Unido): sério, o nome do filme é esse mesmo. E não é uma metáfora. Nesse filme, um documentário com algumas cenas hitóricas reconstituídas, você fica mesmo sabendo o que fazer com uma ovelha morta. Se você gosta de History Channel ou National Geographic, também vai gostar de "37 utilidades...", que conta a história de um povo que vivia no c... do Judas entre o Afeganistão, Rússia e China e acabou na Turquia. Tá, vai, é legalzinho.
Avaliação: 1 iraniano (Porque é falado quase 90% do tempo em uma língua estranha.)

Half Nelson (Ryan Fleck/EUA): mais um filme mostrando o racismo e as mazelas da sociedade americana. Tipo "Crash", só que mais profundo e mais com cara de filme independente. O nome do filme deve ser uma referência a alguma medida de drogas, já que o filme é sobre isso, não sei bem. Alguém me explica? Belo filme.
Avaliação: 1 iraniano (Porque de vez em quando ele fica lento demais)

O Céu de Suely (Karim Aïnouz/Brasil): bom, filme brasileiro que se passa no interior do Nordeste é sempre aquela coisa... "Tem que ser cru, sem maquiagem, sem diálogo." Tá, tudo bem, mas um molhinho, uma edição menos corte seco, bem que podia, né? É bonito, a história sensibiliza - uma garota que "se rifa" pra conseguir fugir do sertão - mas tenho minhas ressalvas.
Avaliação: 3 iranianos (Porque, além de tudo, o diretor tem nome de turco.)

Red Road (Andrea Arnold/Inglaterra): depois de receber a indicação de um amigo cineasta e de treinar a pronúncia correta pra falar na bilheteria, lá fui eu ver o Red Road. E foram 113 minutos louco pra ir no banheiro e sem conseguir levantar com medo de perder uma parte do filme. Suspense do começo ao fim na história de uma funcionária dessas centrais de monitoramento de cidades que revê, em uma das câmeras de vigilância, um homem que marcou a sua vida. Muito bom.
Avaliação: 0 iranianos

O talento de cada um (Andrew Wagner/EUA): mais um daqueles filmes que você assiste e depois pensa
"o que eu digo se me perguntarem se eu gostei?" Eu ACHO que gostei porque adoro road movie. Mas a história de uma família cruzando os Estados Unidos e "discutindo a relação" é uma coisa de maluco. Melhora um pouco quando você lê os créditos e entende o filme. Não recomendado para casais em vias de se casarem.
Avaliação: 2,5 iranianos (Só pra me garantir se você não gostar)

2 comentários:

Cynthia disse...

Half-Nelson é um golpe - ou melhor, uma manobra de imobilização - usada em luta romana ou livre. Ou então uma pessoa que passa tanto tempo junto com um Nelson que ela própria começa a se sentir meio nelsinha, também. Tipo eu.

;o)

Caterine disse...

Nem sei bem como ou porque vim parar aqui. Sei é que voltarei seeeeeeeeeeeempre. Você tem um estilo encantadoramente enxuto de escrever, então não toma tempo com bobeira e vai direto ao assunto. Amei as crônicas e, se me permite, adotarei a fórmula dos iranianos pra filmes e coisas afins.