22.7.04

Destinatário

Acabara de escrever a carta. E fora esta a parte mais simples, apesar dos complexos sentimentos ali descritos. Inexplicavelmente as palavras fluiram sem empecilhos de seu coração para o alvo papel. Só lhe faltava agora um destinatário. Alguém que lhe respondesse com as palavras que queria ler. Que lhe desse exatamente as respostas que procurava. Que pelo menos compreendesse aquele desabafo impresso na folha. Dobrou a mensagem enquanto pensava e a colocou em um envelope selado. Observou-a, silencioso, por longo instante. Até que, finalmente, se convenceu de que aquelas palavras desenganadas que escrevera não eram para outros olhos senão os seus.

10.02.2004

Um comentário:

Ticcia disse...

Acho que no fundo todas as cartas são antes pra gente mesmo. Nelas vai um tanto da gente mesmo que queremos descobrir, um tanto de presentear a si próprio com nossos segredos e, quando em vez, presenteamos também os outros. Beijo