9.11.04

Da boca pra fora

Sua mãe, já senil, a acordava todas as manhãs aos berros. As contas atrasadas lhe tiravam o sono. O namorado a trocara por uma garota “mais gatinha�. A obturação quebrada doía. Não comprava uma roupa nova havia 6 meses. O cabelo, ela mesma ajeitava. Pegava 2 ônibus para chegar ao trabalho. Depois, caminhava mais 10 minutos. Sofria com o salário baixo e com o mal hálito do gerente. Ainda assim arrancou, do fundo do peito dolorido e com uma força que não possuía, mais um de seus sorrisos. E, por trás do balcão, pronunciou as palavras que mais queria ouvir:

- Oi. Posso te ajudar?

2 comentários:

Valentina disse...

Lucio, gosto pra cacete quando você escreve desse modo. Não sei explicar, mas ao ler, não pude deixar de pensar da Macabéa...
Ah, a Lu perguntou se pode levar esse teu post lá pro glossolalias. Beijos.

Belly disse...

muito muito muito bom.